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Vamos muito mal no PISA: Post 53

by Maria Beatriz Lobo - dezembro 3rd, 2012.
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Vamos muito mal no PISA: Post 53

Infelizmente nosso país insiste em olhar o “copo” da nossa Educação e, ao invés de vê-lo meio vazio, sempre considera que está meio cheio! Quando se fala dos péssimos resultados nos exames internacionais da educação básica, usa-se argumentos de que os exames não são adequados para nós, que o Brasil – diferentemente do que aconteceu com os países pioneiros na adesão ao exame – não teve chance de escolher as suas melhores escolas para participar etc. Quando interessa correm dizer que nosso desempenho melhorou!
Não adianta dourar a pílula: vamos muito mal mesmo na nossa educação, em TODOS os níveis, e nosso avanço é de formiga, nem de tartaruga, ainda mais quando sabemos que nossa economia está entre as 10 maiores do mundo e nossa educação básica fica lá pelos últimos 50 lugares!
O pior é que não adianta se iludir, pois como disse Roberto Lobo, meu marido, em seu artigo que reproduzo abaixo e que saiu na Folha de São Paulo, é hora de sabermos se não temos “Escolas de Bárbaros”.

                              A ESCOLA DOS BÁRBAROS

Roberto Leal Lobo e Silva Filho

 

A imprensa vem denunciando de forma crescente a violência que está se instalando em nossas escolas, ameaçando e desmotivando professores e gestores.

Pais e filhos acham que a escola não pode contrariar os estudantes ou exigir desempenho. Também há graves problemas no seio das famílias que não conseguem impor limites aos filhos (quando não são os próprios pais que não sabem cumprir limites) e isso se espraia para a sala de aula.

Esse problema que está se tornando quase epidêmico no Brasil não é desconhecido em outros países.

Se você está preocupado, ou inconformado com essa situação e se gosta de ler escritores bem radicais, então o livro “A Escola dos Bárbaros”[1] merece ser lido.

Esse livro foi publicado por duas professoras francesas e trata do que elas consideram a degradação das escolas naquele país no final da década de 80.

As autoras consideram que a falta de disciplina nas escolas reflete uma sociedade que “adota o prazer como o ideal, em todas as direções e, para quem, o objetivo da civilização é se divertir sem limites”.  Afirmam que, por isso, “todos os meios da educação atual tendem a um único resultado: prolongar, indefinidamente, o estado de infância intelectual, social, moral e bloquear todas as vias que conduzem à idade adulta”.

Além disso, defendem a tese de que “é uma enganação afirmar que a inaptidão para expressar-se, que a ignorância crassa em história, em geografia, em literatura e a incapacidade em seguir um raciocínio elementar sejam o preço necessário do progresso da cultura das massas e correspondam a escolhas positivas da sociedade moderna”.

Elas denunciam que, sob o pretexto de instaurar na escola a igualdade real, chega-se, inexoravelmente, a aniquilar a própria instituição e que a prioridade pela democratização não é, em si mesmo, a responsável pela atual catástrofe, pois é possível imaginar uma escola de massa eficaz.

Se você concordar com elas vai se deleitar, ainda, com a crítica que afirma “que a ambição da igualdade a todo preço desencoraja o esforço de aprender, tipicamente individual, substituindo-o por práticas extracurriculares ou de posturas críticas fáceis e sem conteúdo, nivelando por baixo”.

Além dessas teses, as autoras criticam, com muita dureza, pedagogos, professores, administradores, sindicatos de professores, a nova geração de pais e, principalmente, as ideologias que banalizaram o ensino, que criaram sindicatos que defendem a mediocridade e o corporativismo, desestimulando o trabalho e o esforço individual, e denunciam a visão simplista de que as soluções tecnológicas e o aumento dos orçamentos podem resolver todos os males que afligem o ensino básico.

Se você tiver o equilíbrio de separar o que as autoras criticam na escola da visão por vezes muito radical e pouco generosa das mesmas – como a crítica ácida em relação às tentativas de se diminuir as injustiças da sociedade e de implantar a democratização do acesso de todos à educação, que são muitas vezes bem intencionadas, mesmo que mal sucedidas – este livro, apesar de sobrecarregado de adjetivos, pode ser útil na reformulação das atuais tendências do ensino no Brasil.

A destruição de alguns paradigmas – como a qualidade universal do trabalho em grupo, a “postura crítica” sobreposta ao conhecimento e à análise erudita, a frouxidão e a permissividade substituindo a disciplina e a cobrança, a prioridade das atividades “sociais” em detrimento do estudo persistente, a valorização dos pesquisadores de banalidades, a ênfase nas metodologias ao invés dos conteúdos – é bem costurada e vale uma reflexão, como tudo o que é discutido neste livro polêmico.

 



[1] “A Escola dos Bárbaros”, Isabelle Stal e Françoise Thom, T.ª Queiroz Editor, Ltda., São Paulo, 1991

 

1 Resposta para Vamos muito mal no PISA: Post 53

  1. Gostei muito do POST 53, parabéns

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