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Cuidado com seus instintos: você pode afundar um navio! Post 36

by Maria Beatriz Lobo - janeiro 20th, 2012.
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Eu li no jornal que o comandante do navio Costa Concórdia, que naufragou há dias atrás na Itália, praticamente no “caminho de casa”, justificou a tragédia que ele mesmo causou como uma consequência de dois fatores: ele fez uma alteração de rota injustificável (que ele já havia feito outras vezes antes!) para saudar um velho amigo e que ele, sim, ele foi vítima de seus próprios instintos!
Eu não quero nem comentar os absurdos das declarações que ele vem alterando conforme a imprensa e as autoridades avançam nas investigações, como a explicação de como ele abandonou o navio (com um escorregão, ele caiu, sem querer, direto em um bote salva-vidas e foi levado com os outros passageiros para longe do navio), ou que as pedras que causaram o naufrágio não estavam nos mapas náuticos (como se pedras fossem iguais ao iceberg em que o TITANIC bateu!).
Vou me concentrar em duas questões que considero muito ilustrativas de comportamentos que, quando não estão associados a uma grande tragédia, ou a uma demagógica reportagem, costumam passar despercebidas, mas que são importantes para uma reflexão.
A primeira é o fato de que o Comandante Schettino (oriundo de uma família de várias gerações de comandantes que o antecederam) chamou de “instinto” o que, na verdade, é um comportamento adquirido e não um comportamento inato como ele parece querer que as pessoas acreditem: a soberba que leva à onipotência.
Para explicar melhor, sabemos que é muito comum o ser humano desenvolver habilidades que, quando são perfeitamente dominadas e repetidas, podem ser menosprezadas por quem as realiza em seus riscos e consequências. Saber muito, ou fazer muito bem alguma atividade pode levar facilmente alguém a descumprir protocolos, ou deixar de fazer as verificações, ou correr o roteiro necessário para garantir um resultado adequado.
É assim que se constroem os cenários de vários desastres, acidentes em que falhas humanas que poderiam ser evitadas ganham contornos de fatalidade, já que não se espera que isso possa acontecer a pessoas tão experientes.
Entretanto, amigos, o modus operandi – esse tipo de comportamento e o que está por trás dele – não é privativo de quem é responsável pelos desastres, ou por grandes prejuízos que são causados contra pessoas físicas, ou jurídicas. Este é o modelo de comportamento para o qual caminham os filhos criados sem limites, os profissionais de alto comando que não são fiscalizados, as pessoas que se tornam famosas, ricas, ou poderosas que acham que tudo podem e que com eles nada de mal acontece, mas se acontecer, dá-se um jeito!
Não pensem que é exagero meu, mas a sensação de ser “todo poderoso”, esta onipotência a qual me refiro, também acontece com os mortais comuns, e em situações do dia a dia, que vão desde dirigir um veículo após 2 ou 3 cervejas pensando que o domina, até fechar a casa antes de sair sem cuidar em verificar se as janelas estão abertas, ou deixar uma criança se divertir em uma brincadeira perigosa só porque você também fazia quando criança e não se machucou. Simples assim, mas no limite, ou nos extremos.
Acontece também com quem responde por reuniões, ou festas, ou por atividades importantes nas empresas. Eles sabem o que tem que ser feito, mas não conseguem manter a constância necessária para garantir o melhor resultado e seguir o roteiro chato de checar o que tem que ser checado.
Ou seja, a palestra não acontece porque não confirmaram o motorista que ia buscar o palestrante no aeroporto, os convidados chegam encharcados porque os noivos acreditam que nunca chove em casamentos ao ar livre, o relatório não chega a tempo porque, na última hora, a internet está fora do ar!
A soberba é a supremacia do exercício do poder acima dos sentimentos alheios e das reais condições de executá-lo, para obter o que se deseja. É colocar-se além do bem e do mal, e, com isso, expor a si mesmo e aos demais sem ter esse direito ou consentimento. Funciona assim: faço porque eu quero, porque eu posso, porque eu mando!
Da mesma forma, a segunda questão que levanto do infeliz episódio do naufrágio italiano, diz respeito ao julgamento que se faz das pessoas nesses casos, levando aos píncaros, ao topo do mundo e do panteão dos heróis quem apenas e tão somente cumpriu com sua obrigação, como o próprio Comandante da Companhia dos Portos de Livorno e sua mulher declararam após o episódio.
Sei que muitos vão achar que cobrar severamente um Comandante que abandonou covardemente seu navio com vítimas a bordo, principalmente se esta atitude tiver gerado alguma ação ou consequência que acabou por salvar vidas, pode ser considerado um herói. Tanto é verdade que já se vende camisetas com a frase que virou um hit na internet, dita por ele aos gritos ao capitão do navio que se negava a voltar a bordo.
Como a própria esposa do Comandante que trabalha na sala de emergência do porto italiano (e que teve seu momento de cobrança hierárquica junto ao capitão fujão gravado e repercutido mundo afora) declarou: “É preocupante que pessoas como meu marido, que simplesmente fazem o dever todos os dias, tornem-se imediatamente ídolos, personalidades, heróis neste país. Não é normal!”.
Eu diria a ela que isso não ocorre só na Itália, mas no mundo todo. Aqui no Brasil, alguém pobre que devolve uma carteira encontrada na rua recheada de dinheiro tem presença garantida no horário nobre da TV e é considerado herói por muitos (e idiota por outros também!).
Eu ainda sou do tempo no qual, para ser chamado de herói, alguém tinha que ter colocado a própria vida em risco para defender uma causa coletiva ou para salvar os outros sem que nada, ou ninguém tivesse pedido, ou mandado e sem pensar em receber nada em troca!

7 Respostas para Cuidado com seus instintos: você pode afundar um navio! Post 36

  1. Muito bom, adorei o texto!!!

  2. Ter você acompanhando o Blog é o máximo! Quero que todos saibam que você é quem fez todo o design e criou o Blog e o Eduardo ajustou as questões técnicas. Os elogios (merecidíssimos) ao Blog e ao seu estilo podem ser vistos em dezenas, mesmo centenas de comentários que estão nos diferentes posts! Você merece! Mil beijos da autora (sua Dadá!)

  3. Minha querida Maria Beatriz, muito interessante e inteligente sua reflexão (como sempre). Parabéns.

  4. Oi querido! Que bom ver meu grande amigo no meu Blog! Estava comentando com Roberto como os brasileiros em geral (e os de lingua latina) comentam pouco, mas em compensação, os americanos, ingleses etc fazem questão de se expressar. São em média mais de 3 comentários por visitante. Mas devagar a turminha nossa vai chegando…
    Que bom que você gostou, que está acompanhando…Quero dicas, sugestões, ou seja, você é sempre bem vindo meu amigo !
    ABS saudosos a todos

  5. O triste Beatriz é que há muitas empresas que estão afundando e nem perceberam que o capitão já não “capitam” há muito tempo.

  6. Opss por favor, onde se lê “capitam”, leia-se “capita”.

  7. Como a gente sempre dizia: tem gente que não tem um pingo de humildade não é? BJ

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