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Olimpíadas: Falta renovação no Brasil! Post 51

by Maria Beatriz Lobo - agosto 8th, 2012.
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Post 51

Olimpíadas: Falta renovação no Brasil!

Mesmo antes de acabar os Jogos Olímpicos de Londres, aliás, mesmo antes de começar, eu já havia me manifestado – nos Vídeos Impertinentes que tenho no Youtube e em textos aqui do Blog sobre vários esportes – a respeito da falta de políticas públicas para o esporte no Brasil! Não é só desse governo, mas desde sempre!
Agora quero ser mais específica e apontar os absurdos que existem no esporte nacional, em especial aqueles que dependem de políticas públicas para vicejar e trazer resultados efetivos nas principais competições.
Primeiro vamos assumir que não há esporte de base no Brasil! Temos o futebol como mania nacional e o vôlei que na última década se profissionalizou.
Por isso tem resultados, no caso mais com as mãos do que com os pés! E só!
O resto (e esses dois inclusive), ou seja, tudo que deu certo no Brasil, tudo mesmo em termos de esporte vem de investimento privado ou de milagres que acabam ocorrendo em um país com a população do tamanho da nossa.
Senão, vejamos: hipismo, vela ou iatismo, automobilismo, natação, judô, todos os esportes que trouxeram medalhas ou bons resultados em campeonatos mundiais ou são fruto de investimento de famílias de classe média ou alta (quem pode investir em cavalos, barcos e carros de corrida?), ou vieram do trabalho de clubes ou associações (como as lutas em geral e os esportes aquáticos).
Todo o resto, sem exceção, veio porque temos algumas flores que teimam em desabrochar no deserto (contra tudo e contra todos e sem ajuda de ninguém!) como é o caso do Guga e da Maria Ester Bueno no tênis, do querido Servilío de Oliveira no boxe e da maioria das medalhas do atletismo.
Prova disso é que, praticamente, esses medalhistas ou campeões mundiais (ou outros mais conhecidos que não conseguiram ser campeões, mas fizeram bonito mundo afora) não possuem sucessores.  Essa é a prova. Se há política pública tem a base e se tem a base tem reposição, renovação, novos talentos!
Falta renovação nos esportes como falta na política!
Pobre Guga que carregou o Brasil na Davis a vida toda e pobre Maria Ester que nunca teve o prazer de ver uma tenista brasileira fazer bonito nas quadras.
O mesmo vai acontecer nas Olimpíadas brasileiras em 2016: não havendo esporte de base não há medalhas e não havendo renovação os esportes que, hoje, nos fazem vibrar vão apresentar resultados mais medíocres do que aquele que colheremos em Londres.
Em quem você apostaria para medalhar nas Olimpíadas no Rio? Vamos partir das esperanças deste ano:
- Cielo estará na briga por medalhas de velocistas, 4 anos mais velho? E Thiago Pereira? Quem vem assombrando na nossa natação além deles?
- Diego Hipólito ou alguém do feminino tem chance na ginástica? O Zanetti talvez, mas porque NUNCA dependeu de governo!
- Quem aposta na Vela? Pobre do Scheidt que já fez de tudo e, de repente, nos acostumou mal (veja lá se isso é desculpa da federação!), mas tem mais alguém impressionando?
- Que tal Fabiana e Maurren? Depois dos vexames tem alguma chance? Você apostaria seu salário em alguma delas? Quem esteve entre os 10 melhores do mundo sobrando este ano em qualquer prova do atletismo?
- Até no judô que tem uma escola e é o nosso esporte mais vitorioso em medalhas, tirando a Sarah Menezes e o Kitadai, temos o Thiago Camilo, Leandro e os demais que eram líderes no ranking quando chegaram a Londres e ficaram a ver navios: o que esperar deles para o Rio?
- Mesmo no vôlei (de quadra e de praia), podemos até manter um desempenho bom desta vez com as gerações douradas que ainda estão nas quadras, mas o masculino que ia renovar-se tem o jogador mais novo com 25 anos (não podemos mais contar com Giba e CIA, não é?). No feminino, dá para pensar em Sheila, Paula Pequeno e Thaisa?
Na praia vamos esperar o Emanuel (já na fase dos “enta”), ou o Ricardo? Quem vai ajudar o pobre do Alisson, o Mamute? Ou vamos colocar todas as esperanças no terceiro ciclo olímpico da Larissa?
- No basquete, depois do técnico argentino (que foi a melhor coisa que apareceu para o Brasil, assim como o Sr. Oleg na ginástica, que infelizmente depois que voltou – ou foi defenestrado – para a Europa não vimos mais nada de bom com nenhuma das nossas “meninas”) vamos ficar com Leandrinho, Marcelinho Machado, Thiago e Nenê?
Sabe gente, mesmo que ainda eu não saiba se teremos o ouro inédito ou não no futebol (que se vier vai mascarar todo problema novamente, pois futebol é mesmo nosso ópio coletivo!), mesmo reconhecendo o valor dos nomes que citei acima e de alguns que os precederam, o fato é que o Brasil apodrecerá sem amadurecer no esporte pela simples razão de que não temos políticas públicas verdadeiras, sistemáticas e corretas para o desenvolvimento das mais diversas modalidades.
Onde estão as aulas de Educação Física? Onde está o investimento em centros de treinamento, nas crianças bem alimentadas e saudáveis? Por que países como a Jamaica, Cuba e dezenas de outros exemplos tem melhores resultados mesmo com o PIB do país tão pequeno? Dinheiro, então, não é tudo!
Vão dizer que centraram fogo em um ou outro esporte apenas, mas a verdade é que a cultura vencedora está lá, junto como política de governo, não de um governo só, mas da sociedade.
Fazemos errado no esporte igualzinho fazemos na educação. O Brasil investe para treinar jovens perto dos 20 anos que nunca serão campeões porque não tiveram o apoio quando eram crianças. No ensino básico estamos entre os piores no mundo, depois gastamos uma fortuna com universidade de pesquisa pública e gratuita (mas também não temos NENHUMA entre as 100 melhores do mundo!). Isto porque somos o 6º PIB do PLANETA!
Isso sem falar na garra e no espírito de luta que devem ter os que sabem que estar em uma Olimpíada é a maior e talvez única chance de ser um vencedor indiscutível em um esporte. Por uma medalha olímpica ginastas já saltaram com ligamentos rompidos, lutaram com sérias lesões, outros saltaram com todas as adversidades possíveis, inclusive vento e chuva, que são iguais para todos que estão competindo.
Para muitos dos escolhidos para passear em Londres, parece que o ”não sei o que aconteceu” é a frase mágica que vai garantir a bolsa-esporte (como a bolsa-família que afugenta muitos brasileiros do emprego formal…) para o próximo ciclo olímpico.
Mas sobre o amarelão que ocorre quando somos favoritos e a retórica de que todos estão sempre de parabéns, isso fica para o próximo post!
Mas não deixem de reparar uma coisa: os únicos atletas brasileiros que ainda não choraram, ou não reclamaram de excesso de sacrifícios ou de apoio nestas olimpíadas foram os 2 medalhistas de ouro!
Quem gostou, não deixe de ler os posts anteriores deste blog sobre esportes. 

 

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