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Década de Federer, Nadal e Djokovic! Post 38

by Maria Beatriz Lobo - janeiro 30th, 2012.
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Para quem gosta de esportes, temos que reconhecer: vivemos uma década maravilhosa para os amantes do bom tênis!
Muitos bons tenistas já marcaram gerações com seus feitos e recordes, assim como grandes duelos marcaram época como Egberg contra Lendl, Borg contra McEnroe, Agassi contra Sampras, entre outros. Vivemos há alguns anos outra rivalidade histórica: Federer contra Nadal.
O domínio absoluto de Federer no início da última década transformou-o, na opinião de muitos especialistas, no maior tenista de todos os tempos: técnica refinada, domínio de todos os golpes, perfeito condicionamento físico, postura vencedora e confiante. Enfim, um gênio do esporte que tinha tudo o que era necessário para levá-lo a bater quase todos os recordes do tênis masculino, o que nos fez acreditar que demoraria muito tempo para que ele encontrasse rivais à sua altura.
A genialidade de Federer parecia imbatível, seu carisma dominou o mundo e seu comportamento educado e ético – ele é considerado um gentleman por todos, inclusive pelos jogadores e jornalistas e tem dado vários exemplos de honestidade na disputa de pontos duvidosos dos jogos – tem sido uma benção para um público que nem sempre teve bons exemplos de esportistas a serem admirados, também, por suas vidas e condutas pessoais.
Quando Nadal atravessou o caminho do suíço, as partidas entre ambos passaram a ser verdadeiras batalhas e ninguém entendia, ou sabia explicar, porque Federer sofria derrotas inacreditáveis para o espanhol e, mais ainda, a razão de seu comportamento ser tão diferente (e muito menos confiante) na quadra e na entrega dos prêmios, pois ele chegou a chorar no último Grand Slam que perdeu antes de bater o recorde de títulos desses torneios reclamando que não aguentava a pressão que sofria por perder de Nadal.
Como mostra a história, sempre há alguém que desafia os gênios de alguma forma difícil de justificar. Eu tenho, cá para mim, algumas justificativas para a desproporção das derrotas de Roger Federer para Rafael Nadal que não são ligadas, especificamente, às questões técnicas desse esporte, mas são, sem dúvida, componentes que são fundamentais para forjar grandes campeões hoje.
Eu sinto que os tenistas mais jovens se viram obrigados a desenvolver 2 aspectos de forma mais contundente do que ocorria antes da supremacia do tenista suíço, numa tentativa de se sobreporem à imensa habilidade técnica e leveza de Federer: a força física (que assegura a resistência para aguentar longos games, ou alcançar todas as bolas e maior velocidade nos golpes para garantir contra-ataques ou winners mais efetivos) e a postura super agressiva (com expressões físicas e manifestações em quadra que antes eram consideradas, no mínimo, uma descortesia em um  jogo de tênis).
Sobre as questões físicas, isso era inevitável que ocorresse (e ocorre em todos os esportes), pois atualmente não só o médico e o fisioterapeuta atendem aos atletas, mas equipes multidisciplinares que trazem todos os avanços das áreas desde a fisiologia do esforço até a nutrição e a psicologia para analisar as reações do corpo e do comportamento do atleta diante de grandes pressões.
Sobre as mudanças do comportamento em quadra, vejo que podem ter sido para pior. A agressividade ao comemorar os pontos e os excessos nas manifestações de poder e determinação dos tenistas mais jovens mais parecem um acinte, um enfrentamento moral com o oponente.
Esses comportamentos, talvez, não tenham nascido com Lleyton Hewitt (quem não se lembra do berro “come on” que ele introduziu até chegar a ser o número 1 do mundo?), ou com os gritos da Sharapova, mas certamente se recrudesceram de um tempo para cá.
Eu sei que muitos consideram isso normal, até parte vital da luta dos grandes guerreiros, e que esses gestos podem render pontos junto ao público, mas são quase provocações (desnecessárias a meu ver) para muitas pessoas e se tornam verdadeiras agressões psicológicas que objetivam desestabilizar o outro, ou incitar a torcida.
É quase impossível enfrentar e superar o desconforto e a vergonha que esses comportamentos despertam em pessoas com a personalidade e a educação de Roger Federer (e posso citar outros como, por exemplo, o argentino Del Potro). Tenho quase certeza que esse é o grande problema de Federer ao enfrentar Nadal, em especial, e a outros tenistas que assumirem essa postura daqui para frente. Falo isso com tranquilidade e sem querer desmerecer as grandes qualidades esportivas que Nadal possui, sem a menor dúvida.
A rivalidade de Nadal e Federer poderia se perpetuar, e ainda vai durar mais alguns anos, como a maior atração do tênis mundial, mas a ascensão de Novak Djokovic (incorporando um pouco de ambos: a técnica refinada parecida com a de Federer e a resistência somada à agressividade das manifestações provocativas de Nadal) trouxe um cenário ainda mais emocionante para a disputa dos grandes campeonatos, em especial aos Grand Slams.
Veremos partidas memoráveis (como a final mais longa de todos os tempos que aconteceu ontem no Australian Open) entre esses três jogadores e batalhas oníricas entre esses seres humanos que se comportam como semideuses. Talvez Andy Murray faça crescer seu jogo – e sua autoconfiança – para compor um quarteto que marcará uma geração invejável de tenistas. �
Entretanto, eu espero, sinceramente, que o destaque dessa década de ouro no tênis não reforce ainda mais o uso da força, dos gritos e dos gestos de onipotência dos jogadores como a grande arma a ser usada para vencer a técnica, a classe, a polidez, enfim, a educação!

 

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