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A propaganda é a alma dos Bancos?

by Maria Beatriz Lobo - novembro 13th, 2011.
Filed under: Assuntos Gerais e Atualidades, Mundo social e político. Tagged as: , , , , , , .

Aviso aos navegantes: não levanto bandeiras contra o capitalismo, nem contra todos os banqueiros como representantes genéricos, mas destacados da exploração do homem pelo capital. Eu não quero analisar o papel dos bancos na atual (e nas recentes) crise econômica mundial nem julgar a justiça no socorro financeiro bilionário que eles recebem quando há ameaças ao sistema e às economias. Não estudei sobre isso e não tenho formação que me permita ir além do senso comum.
Quero registrar tão somente o pensamento que me ocorre sistematicamente (e há muito tempo) quando assisto aos comerciais dos bancos na TV, que se concentram em 5 ou 6 grandes bancos que se mostram em enxurradas de anúncios muito bem formatados e que tem uma coisa em comum: falar de quase tudo, menos do que os bancos realmente fazem.
Tive a paciência de ir anotando alguns dos slogans adotados por esses grandes conglomerados, que mudam um pouco de acordo com a dança de aquisições e fusões, mas que se mostram cada vez mais genéricos e usam só conceitos abstratos em sua publicidade.
Tem o banco feito para você, o “banco do juntos”, o “banco que é presença”, o “banco que é todo seu”, o “banco do Brasil e do mundo que não tem limites”. Esses são alguns dos “slogans”, ou motes (chamo assim porque não sou especialista em propaganda) que se desdobram em várias peças publicitárias que são totalmente (e tem que ser) etéreas,  ainda mais quando apresentam seus serviços para as classes A e B.
Aí, junto com imagens de lugares paradisíacos, pessoas lindas e situações luxuosas, aparecem as mensagens subliminares: só é perfeito para nós quando é perfeito para você (sua experiência é nosso ponto de partida!…), valorizando as ideias para um mundo melhor, lado a lado com você, ou com o esporte, ou com o circo (lembrando e explicitando que “gente tem que ser ver” – que bom que lembram disso!), que tem o seu estilo e onde você faz acontecer, que eles cuidam do nosso patrimônio para que nós possamos cuidar dos valores mais importantes, assim por diante.
Ufa, ainda bem, pois com essa visão, só podemos ser muito bem atendidos, gente por gente, onde os valores importantes não são patrimoniais, já que eles sabem e propalam que nós é quem somos os donos reais dos bancos que são todos nossos, não é assim que dizem?
Parece que o serviço bancário está aí mesmo para nos salvar, preocupado com as pessoas, com o meio ambiente, o esporte, a cultura e o nosso patrimônio.
Só que atenção! Nenhum fala quais são suas taxas, os juros que de fato cobram em seus empréstimos, ou pagam pelo seu dinheiro aplicado lá (aliás, uma conta ultrajantemente desfavorável, sempre, para qualquer cliente, o que torna todos nós um pouco mais parecidos), ou mostra o verdadeiro serviço prestado aos correntistas normais (os não primes, nem masters, privates muito menos ouro ou personnalités).
Claro que nada mostrado se refere aos lucros enormes, alguns oriundos dos juros mensais descabidos de empréstimos com taxa de risco zero, (como dos empréstimos consignados, uma vergonha, pois são debitados na fonte com inadimplência zero!) que é a grande desculpa para, no Brasil, se cobrar juros exorbitantes, que não compreendo como são aceitos pelas autoridades e pela justiça, fazendo as filiais daqui estarem entre as mais lucrativas no mundo.
Mesmo que haja (e eu duvido que  existam) razões plausíveis para os juros bancários praticados no Brasil, em especial no cartão de crédito e no cheque especial, e que este assunto seja um vespeiro no qual nossos políticos não desejam colocar a mão sob nenhuma hipótese (adivinhem a razão…??), como consumidora eu queria e achei importante levantar a seguinte questão, pontual, mas extremamente ilustrativa:
Por que os bancos usufruem do privilégio único (pois não conheço outro serviço essencial, explorado também pela iniciativa privada, que possa fazer isso) funcionam fora do horário comercial comum? O que justifica esse horário que obriga a população a perder horas nas filas, perdendo tempo precioso de trabalho (e gerando perda financeira para todos os demais segmentos produtivos do país!), ou até deixar de almoçar?
O que falar das filas, da falta de atendentes (que se agrava pelo horário estreito de atendimento) e da ausência quase universal de banheiros e assentos para todos, mas mais ainda para idosos e pessoas com qualquer dificuldade? E a quase obrigação de recorrer a terminais eletrônicos de atendimento pela limitação dos serviços presenciais como se aqui o índice de usuários de computação fosse igual ou maior do que dos demais países do primeiro mundo? E a imensa maioria do povo que não usa a internet?
O que ocorre para que as centrais e forças sindicais não exijam o aumento do tempo de atendimento dos bancos? Quantos empregos seriam gerados? Quantos trabalhadores e aposentados seriam beneficiados? Não é boa pauta de reivindicação?
Eu tenho o que se chama atendimento diferenciado em razão do interesse que represento comercialmente, junto com meu marido, para os bancos e quase nunca vou às agências, mas, e a população em geral, ignora-se, mesmo sendo todos obrigados a receber seus salários por meio bancário?
Até para os correntistas mais privilegiados, os serviços são, com raras exceções, tão precários, há tantos erros e tanta gente despreparada, que com os péssimos serviços que prestam em geral, aos preços que cobram para trabalhar COM O NOSSO DINHEIRO, que acho, talvez, que os bancos aqui só se sustentam com tanto lucro porque não podemos guardar dinheiro no colchão, já que o serviço tornou-se  essencial e nossas autoridades não fazem nada de efetivo para garantir atendimentos e preços dignos.
Não entendo tudo isso, juro que não, e acho as propagandas quase um acinte ao nosso povo, em especial aquelas que anunciam os serviços diferenciados aos quais, todos sabemos, 99% dos clientes jamais terão acesso!

2 Respostas para A propaganda é a alma dos Bancos?

  1. Profa. Maria Beatriz,

    Só para termos uma ideia do tamanho do poder dos bancos, basta dizer que no terceiro trimestre deste ano a soma dos lucros das empresas do setor bancário listadas na Bolsa de Valores deu o total de R$ 7,57 bilhões no período. O setor de Petróleo & Gás (com direito a Petrobras, pré-sal, Eike Batista e tudo mais) lucrou menos – R$ 7,47 bilhões no mesmo período.

    São vários fatores que explicam todo esse poder dos bancos, mas uma palavrinha mágica explica tudo: agiotagem. No Brasil, a agiotagem é permitida e é legalizada. A Europa afundada em crise econômica está enfrentando uma crise pelo pagamento dos juros de sua dívida pública. A Itália foi obrigada a pagar recentemente juros de 6,3% ao ano para rolar suas dívidas com vencimento em dez anos, o que para eles foi uma grande humilhação. Aqui a nossa taxa básica de juros, também chamada de Taxa Selic e que também é a taxa de referência para remunerar os títulos da dívida pública, está em 11,5% aa e estamos soltando foguetes.

    Na minha opinião, acabar com essa injustiça passa pela redução da dívida pública. Como o Brasil tem ainda uma dívida pública muita alta (mais de 1,8 trilhão), somos obrigados a pagar juros muito elevados aos bancos para rolar essa dívida. Vai por mim: esse discurso de manter a taxa Selic alta para controlar a inflação é balela! É mais uma artimanha do Governo pra iludir os incautos.

    Camilo Ceolin

  2. Eu só acho que, mesmo com qualquer argumento explicativo, os juros e o atendimento bancários são uma vergonha no Brasil! Falou bem: agiotagem legalizada!

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