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	<title>Blog de Maria Beatriz de Carvalho Melo Lobo &#187; as escolas não acompanham de fato seus alunos</title>
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	<description>Bia Lobo</description>
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		<title>Por que muitos pais não conseguem mais impor limites aos filhos?</title>
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		<pubDate>Fri, 20 May 2011 21:53:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maria Beatriz Lobo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Assuntos Gerais e Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Educação em Geral e Ensino Superior]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo social e político]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos e família]]></category>
		<category><![CDATA[as escolas não acompanham de fato seus alunos]]></category>
		<category><![CDATA[o bullying é resultado de omissão das famílias]]></category>
		<category><![CDATA[os pais não podem declinar da obrigação de educar]]></category>
		<category><![CDATA[Por que dizer não é tão difícil? Não estamos criando tiranos? Nossa obrigação é passar os valores e impor os limites. Não adianta reclamar depois que a juventude parece perdida.]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dos assuntos que eu sinto ser mais sensível, mas ao mesmo tempo mais presente no cotidiano das famílias se relaciona à forma como os filhos estão sendo criados e à sensação de que, sob muitos aspectos, os nossos jovens (desde crianças e as crianças também) parecem ter &#8220;saído dos trilhos&#8221;. Eu sei que é polêmico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;">Um dos assuntos que eu sinto ser mais sensível, mas ao mesmo tempo mais presente no cotidiano das famílias se relaciona à forma como os filhos estão sendo criados e à sensação de que, sob muitos aspectos, os nossos jovens (desde crianças e as crianças também) parecem ter &#8220;saído dos trilhos&#8221;.</div>
<div style="text-align: justify;">Eu sei que é polêmico e que ninguém gosta que falem dos nossos filhos, que dirá de como nós os criamos, mas não consigo me calar diante da omissão quase generalizada que vejo nos mais diferentes tipos de família &#8211; casais novos ou não, ricos ou pobres, com escolaridade alta ou não, enfim, com raras e honrosas exceções.</div>
<div style="text-align: justify;">Para que todos acompanhem onde quero chegar, preciso apontar uma referência: tenho quase 50 anos (faço em abril de 2012) e me considero a geração &#8220;sanduiche&#8221;: não vivenciamos o rigor (considerado, por muitos, autoritário) da criação de nossos pais, mas também não aprendemos a lutar por um ideal, ou defender valores que se contrapõem ao individualismo, materialismo e imediatismo que vemos hoje.</div>
<div style="text-align: justify;">Parece que quem viveu o auge da ditadura e lutou pela liberdade de expressão achou que deveria seguir a mão aposta de sua criação na adoção e aplicação de valores quando chegou a hora de educar seus próprios filhos.</div>
<div style="text-align: justify;">Uma negação do passado, uma tentativa de romper com o que poderia ser ruim, mas radicalizando para o outro extremo: não vou criar meu filho(a) como fui criado e quero ser amigo(a) dele(a)!!!</div>
<div style="text-align: justify;">Isto foi o que eu mais ouvi e até achei que poderia ser um grande avanço para a sociedade, mesmo não sentindo a mesma necessidade, pois olho para trás e vejo que mudaria muito pouco na minha criação e, ao olhar o resultado e vendo como me sinto e sou vista hoje me dia, acho até que poderia (sem falsa modéstia) dizer que tem muito mais de meus pais em mim e de mim em meu filho do que eu imaginava e me orgulho muito disto!</div>
<div style="text-align: justify;">Quando digo que nunca serei &#8220;amiga&#8221; de meu único filho (escandalizando muitos educadores e contra a maré que acha isso o máximo!) eu tento explicar que ter amizade por alguém (e tenho uma agradável e saudável amizade e admiração por ele) não significa que eu me relacionarei com ele como se ele fosse meu amigo, porque simplesmente ele é meu filho!  Ser amigo significa abrir mão, necessariamente, de uma relação de autoridade (não de autoritarismo, vejam bem), pois amigos estão no mesmo patamar, condições iguais, regras iguais, direitos iguais e assim por diante.</div>
<div style="text-align: justify;">Só que eu fui (até ele completar 21 anos) e ainda me sinto responsável por muitos aspectos da vida dele e de sua formação/educação e para exercer esta responsabilidade, conversando sempre quando possível e determinando quando não há outro jeito, eu nunca abri, ou abriria mão de minha autoridade de mãe.</div>
<div style="text-align: justify;">Os pais são responsáveis não só em prover sustento e dar amor incondicional aos filhos (mesmo descobrindo depois com tristeza que para muitos a recíproca não é verdadeira), mas por passar seus valores e sua visão de mundo para que eles possam, mais preparados ou mais velhos, aí sim, analisar e optar se querem, aceitam ou rejeitam estes valores.</div>
<div style="text-align: justify;">Enquanto eles não podem, sozinhos, construir ou adotar seus próprios valores, cabe aos pais garantir (ou pelo menos tentar <span style="text-decoration: underline;">e nunca se omitir</span>) que nada do que tenha peso concreto &#8211; na formação da personalidade, na orientação das atitudes e na própria conformação de seu corpo e de seu caráter &#8211; deixe de passar por seu crivo, sua opinião e, sim, também por sua decisão.</div>
<div style="text-align: justify;">Voltando à minha geração (e às que se seguiram), fomos criados experimentando a liberdade de exigir uma explicação para tudo, de discordar ou de não fazer sem sofrer as consequências e de cobrar muito sem sermos cobrados de quase nada. Quem não se sentiu ou não vê agora que tudo que damos a eles é pouco e tudo que eles fazem é por demais&#8230;tudo &#8211; chato, cansativo, ultrapassado, desnecessário etc e tal?</div>
<div style="text-align: justify;">Tivemos tudo, muito mais do que a maioria de nossos pais teve acesso, e evoluímos enquanto sociedade em vários aspectos, principalmente em relação à igualdade de direitos, à liberdade de escolha e ao alcance de oportunidades.</div>
<div style="text-align: justify;">Mesmo assim, não acho, sinceramente, que fizemos bom uso destes avanços, e vejo vários e importantes retrocessos, pois ao usufruirmos da liberdade da escolha (ou por necessidade) de trabalhar, por exemplo, muitos pais resolveram compensar suas ausências com bens materiais, a calar os gritos e esperneios com a babá eletrônica da TV e a diminuir o cansaço do dia dizendo sim a tudo que insistentemente é &#8220;requisitado&#8221; pelos pequenos grandes tiranos em que nossos jovens se transformaram.</div>
<div style="text-align: justify;">Passamos a chamar de espertos e sadios os mal comportados e impacientes, de garotos com personalidade os respondões e grosseiros, de independentes os arredios e insubordinados. Quem levanta a mão (da consciência, é claro) e pode dizer que tem um filho(a) de fato, bem educado(a), como acredita que alguém assim deve ser? Se formos criteriosos com eles como somos com os filhos dos outros, poucos podem dizer que sim.</div>
<div style="text-align: justify;">E a principal razão é que hoje é socialmente criticável assumir que como pai ou mãe a gente toma uma posição e a defende. Quem faz isto olha para o lado e se sente só, pois é &#8220;bicho raro&#8221; como se diz.</div>
<div style="text-align: justify;">Afinal, como dizer não se eles trazem o irrefutável argumento de que &#8220;todos os meus amigos tem&#8221;, ou &#8220;por que só eu não posso ir se os pais dos meus amigos todos deixam&#8221; e, aí, viramos reféns de nosso medo e comodismo de dizer: não vai porque não é adequado à sua idade, não dou porque não tenho a mesma condição do pai de seu amigo (ou mais difícil, porque mesmo podendo acho que não devo) ou não deixo porque discordo com o que está acontecendo e assim por diante.</div>
<div style="text-align: justify;">Criar filhos não é uma responsabilidade somente, é um compromisso nosso conosco (engraçado este termo, mas é assim mesmo, parece algo como &#8220;fiz por mim mesma&#8221;, sabe?), com o que defendemos, com eles e com a sociedade. Um compromisso que não acaba nunca! Não é fácil dizer não e impor limites, ainda mais quando já sabemos que poucas, para não dizer que quase ninguém tem a coragem de apoiar aqueles que tentam fazer isto com todo esforço, boa intenção e disposição enfrentando todo &#8220;mico&#8221; que isto representa no seu dia a dia.</div>
<div style="text-align: justify;">Pois educar não é dizer não hoje e amanhã ceder para &#8220;não viver brigando&#8221; pois temos nossas convicções. Ou não?</div>
<div style="text-align: justify;">Quantas vezes criticamos o alheio e não percebemos que se a &#8220;<em>super nany</em>&#8221; passasse lá em casa, é quase certo que nos diria que temos que tomar algumas lições!</div>
<div style="text-align: justify;">Ainda vou falar muito disso, pois acho que esta é uma das principais raízes dos problemas de nosso País, que se estende para as escolas, para o convívio social e para os valores que nós buscamos e defendemos (ou deixamos de buscar e defender). Sei que tem muita gente já está cansada e descrente, por isto eu digo para elas: não desistam, vocês estão certos, pois o fruto se colhe depois com a paz na consciência&#8230;</div>
<div style="text-align: justify;">Será que isto é coisa só nossa? Será que o mundo inteiro está assim? Esta fica para a próxima.</div>
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