“Uma tragédia anunciada em milhares de outros locais Brasil afora!” Post 55

por Maria Beatriz Lobo - fevereiro 4th, 2013

“Uma tragédia anunciada em milhares de outros locais Brasil afora!” Post 55

A tragédia de Santa Maria não tem só contornos de irresponsabilidade, imperícia, imprudência e, provavelmente, corrupção. Há uma vertente de hipocrisia e inoperância da qual sou testemunha viva e que é quase generalizada.

Apesar do Corpo de Bombeiros ainda ser um dos últimos redutos de esperança confiável existentes em nosso país, quando ele trabalha burocraticamente junto aos poderes públicos, deixa-se levar, ou não consegue impor sua missão de proteção e prevenção.

Para citar como exemplo, quando pedi para fazer a vistoria de uma sala em meu prédio de 3 andares que servirá para atendimento em psicologia, os Bombeiros exigiram olhar o prédio todo. Indaguei a razão e eles me disseram que não adiantava que uma sala estivesse bem para receber meus pacientes se o prédio representasse uma ameaça.

Assim fizeram: avaliaram todo o prédio e concederam o alvará, mas ao sair, soube da pérola que demonstra que a situação de Santa Maria deve ser uma tragédia anunciada em milhares de outros locais, Brasil afora!

Para meu espanto e indignação, um representante dos Bombeiros disse que um dos mais antigos prédios bem no centro de minha cidade e que abriga um hotel, possui todas as suas sobrelojas e o próprio hotel sem alvará dos Bombeiros em razão do hotel insistir em manter o sistema de abastecimento de gás do lado de dentro do prédio (e como consequência, não têm licença da Prefeitura que exige o documento dos Bombeiros para regularizar a situação do estabelecimento e assim vai…).

Questionado sobre o que os Bombeiros fazem nessa situação, a resposta veio rápida: todos esses estabelecimentos estão funcionando sem o alvará dos Bombeiros há mais de 10 anos! Ou seja, parece que não conceder o alvará é o castigo que se lhes impõem! Só que todos sabem o que está ocorrendo, não tomam providências, mas os estabelecimentos continuam lá, recebendo hóspedes e clientes até que haja alguma tragédia para, aí sim, vir a correria atrás dos prejuízos e todos chorarem os mortos!!!

Ou seja, não dar o alvará é o que os Bombeiros fazem, mas não há nenhuma penalidade, ou suspensão prevista para que esses estabelecimentos não atuem, evitando as arapucas semelhantes à Boate Kiss!

Para pedir milhares de firulas, inutilidades da burocracia, não falta gente nem vontade, mas para essas questões cruciais não há muita disposição! Onde está a força do poder público naquilo que realmente é de interesse público?

Abrir um negócio ou uma empresa em nosso país é um dos processos mais atrasados do mundo, mas mesmo assim há uma avalanche de hipocrisia e inoperância que ainda vai colocar fogo no Brasil!

 

Qual a lição e semelhança entre o Corinthians e Organizações no Brasil?

por Maria Beatriz Lobo - dezembro 16th, 2012

Qual a lição e semelhança entre o Corinthians e as Organizações no Brasil?

Post 54

                O campeonato mundial de clubes conquistado pelo Corinthians e todos os comentários de especialistas sobre as qualidades e decisões que levaram o clube paulista a vencer um dos principais e mais caros times da Europa me fez pensar que as constatações e lições do que ocorreu se aplicam muito bem a vários ramos de atuação, sejam empresas, governos, ou qualquer tipo de organização, inclusive as instituições de ensino superior (IES), que estão na área em que eu mais trabalho:

1-      Os dirigentes (ou donos) não podem sempre vitimar o técnico (ou o profissional responsável) em razão de derrotas, em especial quando não deu as condições mínimas para que se produzissem os resultados esperados;

2-      Uma composição de bons profissionais em qualquer campo já ajuda muito na busca de vitórias, mas a formação de uma verdadeira equipe pode ajudar a superar obstáculos que só bons salários não podem comprar;

3-      É preciso escolher bem cada peça, saber como aplicar cada talento e não ter medo de substituir (esporádica ou definitivamente) alguém para benefício do coletivo;

4-      Não adianta trabalhar só com amadorismo e boa vontade, é preciso ter os profissionais certos no lugar certo, as condições necessárias para desenvolver o trabalho, tempo para amadurecer e muito, muito esforço (treinamento!);

5-      Inovar e contar com suas próprias forças são, muitas vezes posturas mais vitoriosas e rentáveis que superar só algumas fraquezas ou buscar parceiros que só querem resultados financeiros;

6-      Um time grande pode até cair, mas se levanta e depois volta a ocupar um lugar de destaque: times pequenos e medíocres, que lutam sempre no limiar dos resultados (ou seja, na conta do chá) estão sempre com a corda no pescoço!

7-      Se você não tem os melhores, é preciso cuidar da tática, planejar e se diferenciar pela perseguição obsessiva de alcançar o que foi planejado;

8-      Lutar para dar resposta a quem se ama o que nós fazemos, ou para quem nos ama, é mais estimulador que qualquer incentivo financeiro;

9-      Vencer é ótimo, mas é melhor quando não se perdeu a humildade; e

10-  Mesmo os melhores e que estão no alto podem cair, pois não há invencíveis!

Vamos muito mal no PISA: Post 53

por Maria Beatriz Lobo - dezembro 3rd, 2012

Vamos muito mal no PISA: Post 53

Infelizmente nosso país insiste em olhar o “copo” da nossa Educação e, ao invés de vê-lo meio vazio, sempre considera que está meio cheio! Quando se fala dos péssimos resultados nos exames internacionais da educação básica, usa-se argumentos de que os exames não são adequados para nós, que o Brasil – diferentemente do que aconteceu com os países pioneiros na adesão ao exame – não teve chance de escolher as suas melhores escolas para participar etc. Quando interessa correm dizer que nosso desempenho melhorou!
Não adianta dourar a pílula: vamos muito mal mesmo na nossa educação, em TODOS os níveis, e nosso avanço é de formiga, nem de tartaruga, ainda mais quando sabemos que nossa economia está entre as 10 maiores do mundo e nossa educação básica fica lá pelos últimos 50 lugares!
O pior é que não adianta se iludir, pois como disse Roberto Lobo, meu marido, em seu artigo que reproduzo abaixo e que saiu na Folha de São Paulo, é hora de sabermos se não temos “Escolas de Bárbaros”.

                              A ESCOLA DOS BÁRBAROS

Roberto Leal Lobo e Silva Filho

 

A imprensa vem denunciando de forma crescente a violência que está se instalando em nossas escolas, ameaçando e desmotivando professores e gestores.

Pais e filhos acham que a escola não pode contrariar os estudantes ou exigir desempenho. Também há graves problemas no seio das famílias que não conseguem impor limites aos filhos (quando não são os próprios pais que não sabem cumprir limites) e isso se espraia para a sala de aula.

Esse problema que está se tornando quase epidêmico no Brasil não é desconhecido em outros países.

Se você está preocupado, ou inconformado com essa situação e se gosta de ler escritores bem radicais, então o livro “A Escola dos Bárbaros”[1] merece ser lido.

Esse livro foi publicado por duas professoras francesas e trata do que elas consideram a degradação das escolas naquele país no final da década de 80.

As autoras consideram que a falta de disciplina nas escolas reflete uma sociedade que “adota o prazer como o ideal, em todas as direções e, para quem, o objetivo da civilização é se divertir sem limites”.  Afirmam que, por isso, “todos os meios da educação atual tendem a um único resultado: prolongar, indefinidamente, o estado de infância intelectual, social, moral e bloquear todas as vias que conduzem à idade adulta”.

Além disso, defendem a tese de que “é uma enganação afirmar que a inaptidão para expressar-se, que a ignorância crassa em história, em geografia, em literatura e a incapacidade em seguir um raciocínio elementar sejam o preço necessário do progresso da cultura das massas e correspondam a escolhas positivas da sociedade moderna”.

Elas denunciam que, sob o pretexto de instaurar na escola a igualdade real, chega-se, inexoravelmente, a aniquilar a própria instituição e que a prioridade pela democratização não é, em si mesmo, a responsável pela atual catástrofe, pois é possível imaginar uma escola de massa eficaz.

Se você concordar com elas vai se deleitar, ainda, com a crítica que afirma “que a ambição da igualdade a todo preço desencoraja o esforço de aprender, tipicamente individual, substituindo-o por práticas extracurriculares ou de posturas críticas fáceis e sem conteúdo, nivelando por baixo”.

Além dessas teses, as autoras criticam, com muita dureza, pedagogos, professores, administradores, sindicatos de professores, a nova geração de pais e, principalmente, as ideologias que banalizaram o ensino, que criaram sindicatos que defendem a mediocridade e o corporativismo, desestimulando o trabalho e o esforço individual, e denunciam a visão simplista de que as soluções tecnológicas e o aumento dos orçamentos podem resolver todos os males que afligem o ensino básico.

Se você tiver o equilíbrio de separar o que as autoras criticam na escola da visão por vezes muito radical e pouco generosa das mesmas – como a crítica ácida em relação às tentativas de se diminuir as injustiças da sociedade e de implantar a democratização do acesso de todos à educação, que são muitas vezes bem intencionadas, mesmo que mal sucedidas – este livro, apesar de sobrecarregado de adjetivos, pode ser útil na reformulação das atuais tendências do ensino no Brasil.

A destruição de alguns paradigmas – como a qualidade universal do trabalho em grupo, a “postura crítica” sobreposta ao conhecimento e à análise erudita, a frouxidão e a permissividade substituindo a disciplina e a cobrança, a prioridade das atividades “sociais” em detrimento do estudo persistente, a valorização dos pesquisadores de banalidades, a ênfase nas metodologias ao invés dos conteúdos – é bem costurada e vale uma reflexão, como tudo o que é discutido neste livro polêmico.

 



[1] “A Escola dos Bárbaros”, Isabelle Stal e Françoise Thom, T.ª Queiroz Editor, Ltda., São Paulo, 1991

 

Seedorf tem razão e não é só no futebol! Post 52

por Maria Beatriz Lobo - outubro 31st, 2012

SEEDORF TEM RAZÃO E NÃO É SÓ NO FUTEBOL!

Post 52

Precisou vir ao Brasil um jogador holandês, com 36 anos, para dizer o que todos já sabiam e fingiam não ver: os jogadores brasileiros são folgados!

Ou seja, ele falou de jogadores profissionais, a minoria privilegiada que está com contrato com grandes clubes e recebendo muito bem, mas isso se repete em outros times.

Os jogadores brincam com tudo e por tudo, treinam muito pouco e sem dedicação, não levam a sério momentos importantes do jogo, enfim tudo que envergonha um esporte que é a paixão nacional!

Entretanto, é preciso ouvir treinadores de outros países e de outros esportes, que sabem que quase todos os nossos atletas, em geral, treinam pouco. Essa é a verdade com poucas exceções, e não é só no futebol, o que justifica, em parte, o nosso fracasso eterno nos jogos olímpicos comparado com nosso poderio econômico.

Ocorre que esta constatação feita pelo jogador holandês há muito tempo já foi alvo de artigos, comentários, livros e conversas entre pessoas sérias que – deixando de lado o ufanismo brasileiro e o politicamente correto – tiveram a coragem de apontar que, ao contrário do que se prega, a maioria da população não é dedicada, trabalhadora e disposta a lutar por um melhor lugar ao sol. Essa é, infelizmente, a minoria.

Nosso povo vem, desde os primórdios de sua formação após o descobrimento, lutando contra o que Nelson Rodrigues chamou de “complexo de vira-latas”, uma “malemolência”, um “jeitinho” que não trouxeram e não trarão nenhum benefício para nós, pois a educação brasileira não ajuda, nem a justiça, nem a cultura de nossa sociedade.

As famílias cobram pouco de seus filhos e de si mesmas. Temos aí o exemplo dos programas sociais do governo: justos para uma melhor distribuição de renda, mas que faz com que muitos queiram abandonar a chance de um emprego de carteira assinada para manter os benefícios do governo ou o seguro desemprego!

Para manter a imagem de povo feliz, vivemos de festa em festa, carnaval e futebol, pão e circo, o que parece nos bastar em termos de ambição de futuro (afinal aparecemos sempre como um povo dos mais felizes, mesmo com tantas mazelas). Quase todos fazem o mínimo indispensável para ver se alguém ou algum grupo dá conta do recado por eles. É a minoria tentando carregar a maioria e isso não pode dar certo!

Vejam os exemplos dos países que se desenvolveram, nos quais a sociedade como um todo é mais rigorosa na cobrança de desempenho em todas as atividades.

Até o Neymar reclamou dos colegas que colocam em suas costas as responsabilidades e ficam “olhando” ele fazer seus dribles sem ajudá-lo.

Uso o futebol para colocar meu ponto de vista porque, afinal, parece ser a única língua que o povo entende!

Chegamos a 80 mil Hits!

por Maria Beatriz Lobo - setembro 12th, 2012

Chegamos a 80 mil Hits!

Chegamos a 80 mil entradas no meu Blog, descontados os spans! É um número fantástico para um Blog de textos longos, reflexivos e em português.
São 15 mil unique visitors entrando em média 5 vezes e acessando mais de 5 páginas, ou seja, estão usando mesmo o conteúdo, passeando pelo Blog e procurando outros temas.
Tenho escrito pouco no Blog porque os Vídeos Impertinentes que posto no Youtube tem feito um pouco o papel dos posts, mas não deixarei de colocar os textos que considerar mais importantes aqui.
Apenas a título de comentário,  entre os países que mais visitam o Blog estão os EUA com 36% dos 80 mil hits, seguidos pela Alemanha com 15%, só depois o Brasil com 10%, seguido pela Polônia, França e China, todas com 4% e a União Européia com 2% (é assim que o WordPress contabiliza, a União Européia como um país a parte além dos países que a compõem). Os demais ficam com 1% ou menos.
Chama a atenção que os estrangeiros tenham maior interesse em Blogs como este do que os brasileiros, assim como a grande maioria dos comentários postados são de fora também.
De qualquer forma, cumpro o papel a que me propus, de colocar ao público assuntos para análise, discussão e reflexão! Abraços a todos e obrigada! Em direção aos 100 mil!!!

Olimpíadas: Falta renovação no Brasil! Post 51

por Maria Beatriz Lobo - agosto 8th, 2012

Post 51

Olimpíadas: Falta renovação no Brasil!

Mesmo antes de acabar os Jogos Olímpicos de Londres, aliás, mesmo antes de começar, eu já havia me manifestado – nos Vídeos Impertinentes que tenho no Youtube e em textos aqui do Blog sobre vários esportes – a respeito da falta de políticas públicas para o esporte no Brasil! Não é só desse governo, mas desde sempre!
Agora quero ser mais específica e apontar os absurdos que existem no esporte nacional, em especial aqueles que dependem de políticas públicas para vicejar e trazer resultados efetivos nas principais competições.
Primeiro vamos assumir que não há esporte de base no Brasil! Temos o futebol como mania nacional e o vôlei que na última década se profissionalizou.
Por isso tem resultados, no caso mais com as mãos do que com os pés! E só!
O resto (e esses dois inclusive), ou seja, tudo que deu certo no Brasil, tudo mesmo em termos de esporte vem de investimento privado ou de milagres que acabam ocorrendo em um país com a população do tamanho da nossa.
Senão, vejamos: hipismo, vela ou iatismo, automobilismo, natação, judô, todos os esportes que trouxeram medalhas ou bons resultados em campeonatos mundiais ou são fruto de investimento de famílias de classe média ou alta (quem pode investir em cavalos, barcos e carros de corrida?), ou vieram do trabalho de clubes ou associações (como as lutas em geral e os esportes aquáticos).
Todo o resto, sem exceção, veio porque temos algumas flores que teimam em desabrochar no deserto (contra tudo e contra todos e sem ajuda de ninguém!) como é o caso do Guga e da Maria Ester Bueno no tênis, do querido Servilío de Oliveira no boxe e da maioria das medalhas do atletismo.
Prova disso é que, praticamente, esses medalhistas ou campeões mundiais (ou outros mais conhecidos que não conseguiram ser campeões, mas fizeram bonito mundo afora) não possuem sucessores.  Essa é a prova. Se há política pública tem a base e se tem a base tem reposição, renovação, novos talentos!
Falta renovação nos esportes como falta na política!
Pobre Guga que carregou o Brasil na Davis a vida toda e pobre Maria Ester que nunca teve o prazer de ver uma tenista brasileira fazer bonito nas quadras.
O mesmo vai acontecer nas Olimpíadas brasileiras em 2016: não havendo esporte de base não há medalhas e não havendo renovação os esportes que, hoje, nos fazem vibrar vão apresentar resultados mais medíocres do que aquele que colheremos em Londres.
Em quem você apostaria para medalhar nas Olimpíadas no Rio? Vamos partir das esperanças deste ano:
- Cielo estará na briga por medalhas de velocistas, 4 anos mais velho? E Thiago Pereira? Quem vem assombrando na nossa natação além deles?
- Diego Hipólito ou alguém do feminino tem chance na ginástica? O Zanetti talvez, mas porque NUNCA dependeu de governo!
- Quem aposta na Vela? Pobre do Scheidt que já fez de tudo e, de repente, nos acostumou mal (veja lá se isso é desculpa da federação!), mas tem mais alguém impressionando?
- Que tal Fabiana e Maurren? Depois dos vexames tem alguma chance? Você apostaria seu salário em alguma delas? Quem esteve entre os 10 melhores do mundo sobrando este ano em qualquer prova do atletismo?
- Até no judô que tem uma escola e é o nosso esporte mais vitorioso em medalhas, tirando a Sarah Menezes e o Kitadai, temos o Thiago Camilo, Leandro e os demais que eram líderes no ranking quando chegaram a Londres e ficaram a ver navios: o que esperar deles para o Rio?
- Mesmo no vôlei (de quadra e de praia), podemos até manter um desempenho bom desta vez com as gerações douradas que ainda estão nas quadras, mas o masculino que ia renovar-se tem o jogador mais novo com 25 anos (não podemos mais contar com Giba e CIA, não é?). No feminino, dá para pensar em Sheila, Paula Pequeno e Thaisa?
Na praia vamos esperar o Emanuel (já na fase dos “enta”), ou o Ricardo? Quem vai ajudar o pobre do Alisson, o Mamute? Ou vamos colocar todas as esperanças no terceiro ciclo olímpico da Larissa?
- No basquete, depois do técnico argentino (que foi a melhor coisa que apareceu para o Brasil, assim como o Sr. Oleg na ginástica, que infelizmente depois que voltou – ou foi defenestrado – para a Europa não vimos mais nada de bom com nenhuma das nossas “meninas”) vamos ficar com Leandrinho, Marcelinho Machado, Thiago e Nenê?
Sabe gente, mesmo que ainda eu não saiba se teremos o ouro inédito ou não no futebol (que se vier vai mascarar todo problema novamente, pois futebol é mesmo nosso ópio coletivo!), mesmo reconhecendo o valor dos nomes que citei acima e de alguns que os precederam, o fato é que o Brasil apodrecerá sem amadurecer no esporte pela simples razão de que não temos políticas públicas verdadeiras, sistemáticas e corretas para o desenvolvimento das mais diversas modalidades.
Onde estão as aulas de Educação Física? Onde está o investimento em centros de treinamento, nas crianças bem alimentadas e saudáveis? Por que países como a Jamaica, Cuba e dezenas de outros exemplos tem melhores resultados mesmo com o PIB do país tão pequeno? Dinheiro, então, não é tudo!
Vão dizer que centraram fogo em um ou outro esporte apenas, mas a verdade é que a cultura vencedora está lá, junto como política de governo, não de um governo só, mas da sociedade.
Fazemos errado no esporte igualzinho fazemos na educação. O Brasil investe para treinar jovens perto dos 20 anos que nunca serão campeões porque não tiveram o apoio quando eram crianças. No ensino básico estamos entre os piores no mundo, depois gastamos uma fortuna com universidade de pesquisa pública e gratuita (mas também não temos NENHUMA entre as 100 melhores do mundo!). Isto porque somos o 6º PIB do PLANETA!
Isso sem falar na garra e no espírito de luta que devem ter os que sabem que estar em uma Olimpíada é a maior e talvez única chance de ser um vencedor indiscutível em um esporte. Por uma medalha olímpica ginastas já saltaram com ligamentos rompidos, lutaram com sérias lesões, outros saltaram com todas as adversidades possíveis, inclusive vento e chuva, que são iguais para todos que estão competindo.
Para muitos dos escolhidos para passear em Londres, parece que o ”não sei o que aconteceu” é a frase mágica que vai garantir a bolsa-esporte (como a bolsa-família que afugenta muitos brasileiros do emprego formal…) para o próximo ciclo olímpico.
Mas sobre o amarelão que ocorre quando somos favoritos e a retórica de que todos estão sempre de parabéns, isso fica para o próximo post!
Mas não deixem de reparar uma coisa: os únicos atletas brasileiros que ainda não choraram, ou não reclamaram de excesso de sacrifícios ou de apoio nestas olimpíadas foram os 2 medalhistas de ouro!
Quem gostou, não deixe de ler os posts anteriores deste blog sobre esportes. 

 

Zona no Zoo – Post 50

por Maria Beatriz Lobo - julho 31st, 2012

Zona no Zoo!

Post 50

Não consegui imaginar outro título que representasse bem meus sentimentos e ao mesmo tempo despertasse o interesse dos leitores, por isso peço desculpas antecipadas.
Acontece que foi exatamente isso que senti neste final de semana ao tentar fazer um programa com nosso neto, que veio do Rio para comemorar seus 5 aninhos, típico para a idade e ao mesmo tempo nostálgico para nós, adultos, que fomos ao Zoológico de São Paulo e ao Simba Safári tantas vezes!
Vocês devem imaginar que há décadas não pisávamos lá, e, talvez por esta razão, tínhamos a ilusão de que o poder público já teria feito as melhorias e as inovações necessárias para o acesso ao Parque do Estado e a essas atrações tão famosas.
Qual o que…ledo engano!
Inacreditavelmente, verificamos que o descaso com a população (exatamente a mais modesta que, como nós fizemos, opta por este tipo de programa em um domingo ensolarado de férias como foi este passado) chega às raias da afronta, do deboche, do absurdo!
Continua tudo lá, igualzinho há 30 anos atrás, como se a população, o trânsito e os espaços de estacionamento não tivessem que sofrer adaptações óbvias na cidade que é uma das 3 maiores do mundo, mas que continua escassa de atrativos para quem não quer só comer, ou ir a museus, teatros e cinemas.
Em uma cidade com poucos e péssimos parques (nem venham me falar do Ibirapuera, que é um sucesso aqui para nós, mas que não se compara aos grandes parques urbanos dos países desenvolvidos!), o que vimos foi um trânsito infernal para muita gente que só queria usufruir um pouco do lazer local.
Como todos que já foram sabem – mas não os pobres incautos que pensavam que este país evolui minimamente – a avenida principal de acesso ao Zoológico da cidade de São Paulo continua estreita, com carros parados ao largo, deixando apenas uma pista para acesso a vários lugares (não só para o Zoo, mas para o Simba Safári e outras atividades na região), sem qualquer planejamento ou cuidado das autoridades para um previsível enxame de visitantes.
Ou seja, gente largando os carros para ir a pé, enquanto os motoristas buscam um lugar nos pouquíssimos bolsões de estacionamento, filas imensas, horas no sol, milhares de pessoas abandonadas sem ninguém para orientar, a não ser os flanelinhas que fazem o papel do Estado e acabam “dirigindo” o caos instalado.
Não pensem que lugares movimentados tem que ser sempre assim: vejam o que ocorre nos grandes parques no exterior que recebem milhares de pessoas todos os dias, de forma organizada e digna!
O nosso governo já poderia, há décadas eu repito, ter alargado as avenidas de acesso, organizado os estacionamentos, colocado pessoal preparado para orientar os carros, filas etc deste e de outros locais que recebem visitação pública.
Saibam (os que não sabem) que não é um programa gratuito não, pois paga-se ingresso para todos esses lugares, mas, como disse um motorista de táxi ontem “é impossível ir ao zoo nas férias, pois fica lotado!”, ou seja, não dá nem para alegar que foi um evento isolado…e se não dá para ir nas férias, quando é que se pensa que deve ocorrer o maior movimento nos parques?
Enfim, uma vergonha, uma demonstração cabal de que ninguém está nem aí para o lazer da população e que esta é a terra de ninguém! Ou perdão! Deve ser de alguém, ou de várias pessoas que vendem alvará de funcionamento, cobram propina para isso e aquilo, mas não cuidam dos aparelhos públicos e não estão preocupadas com as pessoas e seus dias de descanso com a família.
O que eu fiz?
Depois de perder 2 horas no trânsito local, desistimos e fomos ver corrida de cavalos. Eu sei que não chega a ser o programa mais adequado para crianças, mas pelo menos meu neto pode ver um bicho vivo sem ser de binóculos, como aqueles que os ambulantes vendem na porta do zoo, agora eu sei muito bem para quê!

Patrões de empregados domésticos não são palhaços! Post 49

por Maria Beatriz Lobo - julho 9th, 2012

Patrões de empregados domésticos não são palhaços!

 Post 49

Você, pessoa séria que cumpre todas as suas obrigações, já tentou pagar FGTS para empregados domésticos? Então você deve ter se sentido um idiota, ou um imbecil como eu me senti ao querer dar um direito social a quem trabalha na minha casa.
Faz quase um mês que eu e 2 secretárias minhas tentamos pela internet e junto à CEF emitir um boleto e pagar o FGTS de minha empregada e tem sido absolutamente inviável, pela falta de informação e pela ideia do governo de que pessoa física tem que correr atrás de certificado digital igual fazem as empresas! Um inferno!
Ou seja, uma burocracia absurda que acaba desestimulando quem quer contribuir para maior dignidade de quem afinal trabalha para você, mas ….para que ser fácil e eficiente se pode ser um inferno absurdo?
Isso, veja bem, para mim que sou esclarecida, tenho empresa e acesso à internet. Como ficam os que moram mais longe, aí pelos rincões do Brasil?
E isso para uma opção que deve se tornar lei daqui para frente, ou seja, todos terão que pagar o FGTS para seus empregados domésticos neste sistema ridículo, acreditem se quiser.
Quem duvidar, que faça um teste: tente descobrir como e ir até o final do registro da conta e do pagamento do FGTS para sua empregada e depois conte para mim o que aconteceu. É mole ou você quer mais?

Sobre meus Vídeos Impertinentes

por Maria Beatriz Lobo - junho 8th, 2012

Para os meus leitores que não tem interface com meu Facebook, ou que não constam de minha lista de e-mails, eu gostaria de avisar que há algumas semanas atrás comecei a postar no Youtube uma série de pequenos vídeos amadores, gravados aqui mesmo em nosso auditório, com câmera de turista e de improviso, mas que mesmo assim são peças de objetivos nobres: apresentar opiniões e pontos de vista nosos sobre assuntos importantes, de forma corajosa e sem compromisso político ou de agradar ninguém e, por isso, chamam-se “Vídeos Impertinentes”.
Quero apenas ter o direito de expressar minha opinião, fazer críticas, desabafos, apontar outros prismas que podem e devem ser considerados sobre os mais variados assuntos. Quem assistiu dizem que muitos deles, além de terem vários argumentos corretos, reflexões e histórias verdadeiras e adequadas, são bem engraçados, já que eu “boto mesmo pra quebrar!”.
Apesar de 88% de meus leitores serem de outros países e não falarem português (pois usam a ferramento do Google Tradutor), mesmo os Vídeos Impertinentes sendo também em português, gostaria que mais pessoas tivessem acesso a eles e, talvez, lá na frente, até alguns sejam traduzidos, ganhem legenda e sejam compartilhados também em outras línguas, pois muitos assuntos tratados são universais e não dizem respeito só aos problemas e questões do Brasil.
Os Vídeos Impertinentes são numerados, (para que todos possam ir assitindo paulatinamente sabendo quais já viram) e já estão na casa dos mais de 30.  Hoje (menos de um mês que comecei) eles já tem, no conjunto, mais de mil acessos.
Espero que façam o mesmo sucesso deste Blog que já está chegando na marca de 75 mil Hits de acordo com o programa “Counterize” do WordPress.
Obrigada a todos porque isso é para vocês e por vocês!

 

CONSUMIDOR: ACREDITE NA VITÓRIA, POIS EU TIVE UMA! Post 48

por Maria Beatriz Lobo - maio 14th, 2012

CONSUMIDOR: ACREDITE NA VITÓRIA, POIS EU TIVE UMA!

Amigos e amigas que sofrem com todo tipo de maus tratos e absurdos em um país em que o Direito ao Consumidor é repetidamente desrespeitado e, como sempre, ajuda mais às grandes empresas do que às pessoas físicas (pobres, desafortunadas e insignificantes pessoas que compram um produto ou serviço): tenho uma boa notícia!!!
Como alguns já sabem, passei 3 meses sem conseguir desbloquear o meu celular novo, o que é um direito previsto na legislação da ANATEL sobre a portabilidade, exatamente o mais importante para mim e meu trabalho (é claro que também era aquele que tinha o plano mais caro), com uma operadora famosa de celular, que ficou brincando de gato e rato comigo, mandando eu me virar indo para a loja onde comprei em SP (e eu moro em Mogi!), depois para a fábrica do celular várias vezes (em Guarulhos), depois querendo que eu fosse até para outras cidades (Campinas ou Santos) etc, mas nunca resolvia o problema e ficava colocando a culpa em todos, menos nela que me vendeu e respondia pelo aparelho.
Não tive dúvidas. Fui à imprensa e denunciei o que estava ocorrendo. Só depois disso é que recebi uma notícia mais palpável de que iriam resolver meu problema, mas a operadora achou por bem responder ao jornal, por meu de seu escritório jurídico, para desautorizar minha reclamação, que eu era devedora de parcelas (o que era mentira), inclusive da contas ainda não vencidas! Aí perdi as estribeiras!
Liguei para a editora da TV, mandei minhas provas e consegui que fizessem uma matéria no jornal local da TV Globo e só assim a operadora resolveu “retirar” o celular em meu escritório para consertar e levou mais um mês para devolver, em uma caixa de papelão sem remetente e sem uma palavra nem de explicação, nem de desculpas.
Conversei então com meu escritório de advocacia de confiança que entrou na justiça contra todos: a operadora, a fábrica do celular e o escritório que me difamou (por quem, aliás, a operadora também respondia).
Eu mesma contribuí na construção da argumentação, pois havia documentado passo a passo, com datas e documentos, tudo o que ocorreu, demonstrando minha indignação e as perdas que tive com esse tratamento ridículo e acintosamente truculento!
Confesso que tive que perseverar muito e com pouca “esperança”, pois fui aconselhada, por todos, a aceitar o acordo que me propuseram (e que é de praxe) de R$2.000,00. Não aceitei porque minha causa não era em razão do dinheiro, pois queria a condenação das empresas que me trataram como lixo.
Quando não desisti da ação, a juíza de conciliação disse que o Brasil precisa de gente como eu. Eu respondi que gente como eu é que precisava da justiça!
Quando sai da audiência, vi a cara de riso da turma “do outro lado” que deve ter me achada um “Dom Quixote” de saias, mas durante a audiência, bem que todos concordaram (em “off” é claro!) com tudo o que eu disse a respeito dos absurdos que me fizeram passar e de quanto era vantajoso tratar milhões de usuários muito mal, já que apenas 1% chega a formalizar uma reclamação, talvez 0,1% chega a entrar com ação e praticamente todos aceitam as merrecas do acordo (até porque as sentenças e o tempo não favorecem os realmente prejudicados!).
É assim que as operadoras (e as outras empresas que lidam com grande contingente de clientes) fazem as contas e, geralmente, evitam as condenações e o custo com a real melhoria do serviço que prestam e ninguém faz nada quando não prestam.
Afinal, quem responde pela regulação do serviço é inoperante, pois todas as reclamações que enviei à ANATEL nunca tiveram sequer resposta (mas tinham protocolo!!!).
Entretanto, vi a alegria dos meus funcionários (eles que batalharam atrás de resolver meu problema) com a minha decisão de ir até o fim.
Para surpresa de todos, acho que até de meus advogados (pois com razão eles me avisaram que, praticamente, não havia casos em que o juiz desse muito mais do que o oferecido no acordo) a operadora de celular e a fábrica do celular, juntas e de forma solidária, foram condenadas e obrigadas a me pagar R$10.000,00 (corrigidos) em razão dos damos morais causados pelo péssimo atendimento.
Recebi esse valor, sendo que metade era do escritório que trabalhou com o risco e mereceu a vitória e parte da outra metade eu distribuí com os funcionários que ainda estão comigo e me ajudaram nessa batalha. Sobrou o que daria para comprar um bom celular novo, mas não importa. Vencemos!
Ao contrário do que costuma acontecer, do começo da ação até o efetivo pagamento o processo levou 2 anos e tive que ir a 2 audiências somente.
Conto isso a todos para marcar duas coisas: talvez, se todos fossem até o final na busca de seus direitos, uma hora as coisas poderiam mudar neste País e, muito melhor que o dinheiro é poder dizer a todos (inclusive a novos e futuros fornecedores) – não brinquem comigo! Nem vocês homens azuis!

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